Noturno

 

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A música de abertura apresenta e sintetiza toda a proposta do disco Noturno. Ela une a ousadia do arranjo, o despojamento da melodia, a poesia da letra e a harmonia quase contemplativa. É o equilíbrio perfeito da tradição e da experimentação, do erudito e do popular, da instrumentação forte com a delicadeza melódica, da tensão com a melancolia. Noturno é o sereno abandono e a consciência do desejo. Em seus conflitos, antecipa toda a atmosfera do disco. O esmero do arranjo e a simplicidade de sua concepção mostram o artista estreante e maduro, consciente de suas possibilidades e desafios.

Noturno cita e recria referências como a do “maldito” e genial Nick Drake, resgatado dos fantasmas que o levaram à morte precoce, e os prelúdios clássicos plenos de romantismo e sentimento, com sua célula que se repete e se intensifica pouco a pouco de significados. Mas também se integra à tradição da música brasileira de Tom Jobim e dos contemporâneos, com a junção da harmonia do piano e das cordas, ora dissonantes, ora tranquilas e reflexivas. É uma apresentação, um chamamento, um prenúncio do que o  disco vai oferecer.


 

Noturno

(Sidney Porto, Marcos Braccini, Pedro Braccini)

Meu pesar
não tento esconder
não tem por quê

Por cantar
não tenho amanhecer
não vou mais esperar
pelo amor
pelo dia que não vi nascer
e que jamais se anunciou
aos meus olhos de sol
de solidão

Recordar
em cada anoitecer
os lábios teus

Caminhar
o tempo surpreender
as horas recusar
desprezar
desdenhar cada instante em que
você jamais se revelou
aos meus olhos de sol
de solidão

 

Marcos Braccini          voz e arranjo de cordas intro
Rafael Martini          arranjo e piano
Quarteto Taron:
Frank Hämmer          violino 1
Jovana Trifunovic          violino 2
Katarzyna Druzd          viola
Lina Radovanovic          violoncelo